Em todos os âmbitos da vida, confirmam-se a importância e os efeitos benéficos da atividade física. A grande questão que aflige a área médica nos tempos atuais é o alto número de pessoas ociosas na população, incluindo crianças e jovens. A tecnologia e a necessidade de interação em redes sociais têm sido as principais causas dessa ociosidade nessa população que, devido à rotina familiar frenética, torna-se carente de atenção e estímulos não-tecnológicos, buscando interações nos dispositivos eletrônicos. As consequências negativas dessa exposição tecnológica crescente e da atividade física reduzida são marcantes, com impactos em diversos comportamentos do indivíduo, incluindo o sono. 

Estudos relacionando os efeitos do sono no desempenho acadêmico têm crescido exponencialmente. Embora as evidências confirmam os efeitos deletérios da privação de sono no aprendizado, memória e atenção, pouco se observa sobre práticas para reverter essa situação na população acadêmica. Universitários estão expostos às situações que interferem negativamente na rotina de sono, essencial para a homeostase do organismo. Além disso, pouca importância tem se dado aos exames e abordagens específicas, uma questão essencial quando investigamos a qualidade de sono e o desempenho pessoal.

 A interação entre cronobiologia e atividade física tem sido descrita na literatura. Acredita-se que a atividade física regulariza o ciclo circadiano do indivíduo contribuindo para uma melhora na funcionalidade do organismo, equilibrando hormônios e o sono. 

Pessoas vespertinas tendem a apresentar mais dificuldade para se adequar à rotina do mundo atual. Universidades e escolas estabelecem  horários extremamente inflexíveis para estudantes vespertinos, com início das atividades escolares em torno de 7 horas, o que é considerado fisiologicamente muito cedo para os vespertinos. Os prejuízos vão além da deterioração do desempenho escolar, à incidência de problemas de sono, como sono não-reparador e até pesadelos.

Considerando esse cenário que envolve a baixa atividade física, sono insuficiente e cronotipo, um grupo de pesquisadores espanhóis realizou um estudo, publicado na Sleep Science, em que analisou o sono de estudantes universitários que faziam atividade física suficiente (AFS) e os que faziam atividade física insuficiente (AFI) medido pelo questionário Brief Physical Activity Assessment Tool. O estudo investigou a qualidade de sono por meio do Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh (PSQI, em inglês), a prevalência de pesadelos utilizando a Escala de Propensão à Pesadelo e o cronotipo dos participantes do estudo pelo Composite Scale of Morningness. 

Os resultados do estudo são preocupantes. Os estudantes AFI apresentaram prejuízos em todos os âmbitos examinados. De acordo com os achados referentes à prevalência de pesadelos, a pontuação na escala de frequência de pesadelos foi maior no grupo AFI quando comparada com o grupo AFS, além de um escore maior no item do PSQI atribuído a problemas de sono relacionados a pesadelos. 

Em relação ao cronotipo, os estudantes AFI tiveram pontuação mais baixa no Composite Scale of Morningness, indicando maior propensão a serem vespertinos. A pontuação no PSQI foi significativamente maior nos estudantes AFI quando comparada aos estudantes AFS, incluindo maior latência de sono, menor eficiência de sono e maior comprometimento das atividades diurnas. Este estudo ainda encontrou uma relação direta entre baixa qualidade de sono e baixo rendimento acadêmico. Segundo o artigo, os participantes com escore >5 no PSQI, considerados com baixa qualidade de sono, apresentaram notas mais baixas quando comparados aos participantes com boa qualidade de sono. 

Esses achados reforçam a importância do sono e da atividade física no desempenho acadêmico, sendo a atividade física um fator positivo na qualidade de sono, na redução da prevalência de pesadelos e no cronotipo dos estudantes. Para tanto, é preciso que medidas de conscientização sejam adotadas para possibilitar um maior rendimento acadêmico e melhor qualidade de vida aos estudantes.

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REFERÊNCIA Level of physical activity and sleep characteristics in university students A r b i n a g a F, Fe r n á n d e z – C u e n c a S , Fe r n á n d e z – C u e n c a EJ, Toscano-Hermoso MD, Joaquin-Mingorance M. Sleep Science 2019; 12(4):265-271 DOI: 10.5935/1984-0063.20190092

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A Sleep Science é uma revista internacional, interdisciplinar e de acesso aberto (open access). Acesse o site da Revista Sleep Science e saiba mais: http://www.sleepscience.com.br 

Monica Levy Andersen Editora-Chefe da Sleep Science

Isabela lshikura Editora-assistente da Sleep Science

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Fonte: Revista Sono

UMA PUBLICAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO SONO

OUTUBRO | NOVEMBRO | DEZEMBRO 2020

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