As perigosas consequências no cérebro das pessoas com apneia do sono

A apneia do sono é classificada como um distúrbio do sono do tipo respiratório, afinal, sua característica principal é um padrão de respiração fora do normal durante a noite. Em alguns casos, o fluxo de ar pode chegar a parar totalmente. Os efeitos disso em todo o corpo são significativos. E é sobre isso que fala esse post: os efeitos no cérebro das pessoas com apneia do sono.

A Classificação Internacional de Distúrbios do Sono estima que 4% dos homens e 2% das mulheres sofrem de apneia. Alguns estudos falam em até 7% entre eles e 5% entre elas. 

Se levarmos em conta que, como outros problemas de sono, a apneia acaba muitas vezes não sendo corretamente diagnosticada, o problema é ainda mais alarmante. 

É muita gente sofrendo danos cerebrais sem saber.

O que acontece com o cérebro das pessoas com apneia do sono

A apneia do sono é caracterizada por episódios repetitivos de respiração pouco profunda ou até mesmo pausas completas na respiração durante o sono. Em alguns casos, isso pode acontecer 30 vezes por hora, uma média de uma vez a cada dois minutos.

Essas interrupções do fluxo de ar podem durar de 10 segundos até um minuto, até que os reflexos acordem o paciente e ele volte a respirar normalmente. 

Enquanto a baixa qualidade do sono e o ronco são as consequências mais visíveis desse distúrbio, se ele não for tratado também pode causar a privação de oxigênio no cérebro. 

Uma das consequências disso é a diminuição da quantidade de matéria branca e matéria cinzenta cerebral, ou seja, uma mudança física da sua estrutura. 

A matéria branca (aproximadamente 50% do cérebro) tem como função transportar sinais neurais de regiões subcorticais para o córtex e vice-versa. Já a matéria cinzenta, parte externa do cérebro, é responsável por processar informações.

Também são efeitos no cérebro das pessoas com apneia:

Danos à memória – Os constantes despertares e microdespertares causados pelas interrupções à respiração impedem que o cérebro avance adequadamente pelas fases do sono. A consequência disso é que ele não consegue exercer o seu papel fundamental de processamento de memórias de curto prazo em memórias de longo prazo.

Dificuldades cognitivas – Em muitas situações, o cérebro das pessoas com apneia do sono age como o cérebro de uma pessoa alcoolizada, diminuindo, por exemplo, a velocidade de reação e a capacidade de ficar acordado mesmo em situações de risco. 

Distúrbios afetivos – Pessoas com apneia do sono têm níveis menores de GABA (ácido gama-aminobutírico), um neurotransmissor que produz sensações de calma e relaxamento. Ao mesmo tempo, elas têm níveis mais altos de glutamato, que aumenta o estresse.

Risco aumentado de demência, depressão e ansiedade.

Outro potencial problema que pode ser causado em pessoas com AOS não tratada é a quebra da barreira entre o sangue e o cérebro. 

Pesquisadores ligados à UCLA, em Los Angeles, descobriram que o distúrbio pode ajudar na destruição dessa camada que protege a região de substâncias tóxicas, bactérias e infecções, além de fornecer nutrientes e filtrar compostos do cérebro de volta para a corrente sanguínea. 

Danos cerebrais causados pela apneia do sono são reversíveis

Saber de tudo isso é importante e serve de alerta para médicos e pacientes, mas nem tudo são má notícias.

Os efeitos no cérebro das pessoas com apneia são grandes e não podem ser desprezados, mas se o distúrbio do sono foi tratado a tempo, eles são reversíveis. De acordo com a Academia Americana de Medicina do Sono, as pesquisas mais recentes mostraram que o tratamento com CPAP pode recuperar os danos causados na região. 

Em um estudo com homens que sofriam de apneia do sono severa, o uso do CPAP por 12 meses ajudou a reverter “quase completamente” os danos causados à matéria branca. Ele também ajudou na melhora da pontuação cognitiva, humor, estado de alerta e qualidade de vida.

A melhora na massa cinzenta é ainda mais veloz: em três meses este dano é reparado.

CPAP, sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas (Continuous Positive Airway Pressure), é um aparelho que gera uma pressão de ar contínua nas vias áereas da pessoa que sofre de apneia enquanto ela dorme, evitando a diminuição e/ou interrupção de fluxo de oxigênio.

Essa recuperação não quer dizer que podemos ignorar a apneia do sono e os seus sintomas, como o ronco. Na dúvida, ou se desconfiar que você possa sofrer deste ou de outros distúrbios do sono, procure um médico especialista.

Fonte: Persono

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