Distúrbios respiratórios do sono

Respire fundo. Segure por um tempinho o ar nos pulmões. Agora solte-o até sentir o esvaziamento total. Sabe esse controle que você acaba de demonstrar da respiração? Por motivos óbvios, ele é impossível durante o sono, afinal não temos a consciência necessária para fazê-lo. Só que tem gente que tem dificuldades até para praticar a respiração involuntária enquanto dorme. São os chamados distúrbios respiratórios do sono.

O nome “distúrbios respiratórios do sono” já é bem autoexplicativo, mas entender de onde eles vêm, os sintomas e as características de cada um desses distúrbios é fundamental para garantir o diagnóstico e o tratamento corretos.

Entendendo os Distúrbios Respiratórios do Sono
Os distúrbios do sono caracterizados como Distúrbios Respiratórios do Sono são marcados por alguma forma de diminuição do espaço das vias aéreas superiores, o que causa taxas anormalmente baixas na respiração ou até mesmo pela interrupção total do fluxo de ar (pausas respiratórias).

Essas pausas na respiração podem durar alguns segundos até vários minutos. Dependendo do distúrbio e do seu grau de intensidade, os episódios podem ocorrer até 30 vezes por hora, ou seja, uma vez a cada dois minutos.

A interrupção constante da respiração causada pelos distúrbios respiratórios do sono costuma causar microdespertares, que muitas vezes são tão rápidos que não são registrados, ou seja, a pessoa não se lembra que acordou. A consequência desses despertares noturnos é uma sonolência diurna excessiva e uma baixa capacidade de concentração e alerta, o que pode trazer uma série de consequências para a vida pessoal e profissional.

Quais são os Distúrbios Respiratórios do Sono

A partir de agora, você vai conhecer alguns dos distúrbios respiratórios do sono primários e secundários.

Em alguns casos, eles podem coexistir, ou seja, um mesmo paciente pode ter mais de um dos distúrbios listados, por isso é tão importante listar para o seu médico todos os sintomas apresentados e continuar atento mesmo após o diagnóstico inicial.

É importante também ressaltar que além dos distúrbios listados aqui, existem outros tantos problemas de sono que acabam causando uma respiração anormal. É o caso, por exemplo, do Terror Noturno, que pode vir acompanhado de hiperventilação. Nesse post, porém, iremos focar apenas naqueles que são oficialmente caracterizados como distúrbios respiratórios do sono.

Apneia obstrutiva do sono

Possivelmente o distúrbio respiratório do sono mais popular.

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por episódios repetitivos de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono e normalmente está associada a uma redução da saturação de oxigênio no sangue. Essa obstrução acontece devido a um relaxamento dos músculos da região da garganta, o que acaba por promover um bloqueio temporário da região, fazendo com que uma quantidade menor de ar chegue aos pulmões.

Quando isso acontece, e em alguns casos isso é centenas de vezes por noite, pode provocar engasgos, ruídos de sufocamento, roncos e pequenos despertares. Como consequência, a pessoa tem um sono de baixíssima qualidade.

Como ocorre com outros distúrbios do sono, a apneia obstrutiva do sono é altamente subdiagnosticada; de acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cerca de 85 a 90% das pessoas que sofrem com ela não sabem disso.

  • Leia Mais: Saiba quais são as consequências da Apneia do Sono no cérebro

Apneia central do sono

A apneia central do sono tem como característica a redução ou interrupção total dos esforços ventilatórios durante o sono, o que gera uma queda na saturação sanguínea.

Ao contrário da apneia obstrutiva do sono, na qual existe uma obstrução física que não permite a passagem do ar, na apneia central do sono o cérebro não manda os sinais adequados aos músculos respiratórios ou, se envia, os músculos deixam de responder a estes estímulos. As duas ainda podem ocorrer juntas, criando um efeito conhecido como apneia mista.

A ACS é mais rara do que a AOS, com estimativas apontando que cerca de apenas 10% dos casos de distúrbios respiratórios durante o sono a têm como causadora. A maioria dos diagnósticos ocorre em homens de idade mais avançada.

A apneia central usualmente vem acompanhada de uma forte insônia e da incapacidade de manter a continuidade do sono. Diversos despertares podem ocorrer, algumas vezes acompanhados de arfadas e sensação de sufocamento. Essa baixa qualidade da noite acaba gerando sonolência no dia seguinte.

Síndromes de Hipoventilação

As síndromes de hipoventilação são distúrbios respiratórios do sono que têm como característica fundamental uma queda na ventilação (ar entrando e saindo do pulmão). O resultado disso é uma concentração maior de dióxido de carbono, acima de 45 mmHg.

A dessaturação de oxigênio para abaixo de 90% por um período de mais de cinco minutos durante o sono ou ainda caindo para menos de 85% também caracterizam a hipoventilação.

Muitas vezes, a hipoventilação está associada a outros problemas pulmonares, mas também pode aparecer relacionada a problemas neurológicos ou consumo de certos medicamentos.

Existe ainda a Síndrome de Hipoventilação por Obesidade, que pode ocorrer paralelamente à apneia e em pacientes obesos. Neste caso, o diagnóstico adequado é ainda mais urgente, já que a SHO tem uma taxa de mortalidade de 23% em 18 meses. Essa taxa cai para 3% com o tratamento adequado.

Distúrbio de Hipoxemia do Sono

A hipoxemia é marcada pelo nível baixo de oxigênio no sangue durante a noite. Nestes casos, o oxigênio decai, mas o dióxido de carbono não chega a subir o suficiente para que o caso seja caracterizado como hipoventilação.

Essa hipoxemia durante o sono geralmente é secundária, causada por algum outro problema de saúde que afeta a respiração, como distúrbios de obstrução pulmonar ou mesmo a apneia.

Catatrenia (Gemidos)
A catatrenia é um distúrbio do sono bastante raro, que afeta o sono de 0,17% a 0,4% das pessoas que sofrem de outros distúrbios do sono. Veja, não é 0,4% da população, e sim 0,4% da população que já tem outro problema de sono.

Quem sofre catatrenia tem uma inalação profunda do ar e uma exalação muito lenta. Isso produz um som monótono, como um gemido ou um chiado.

Na maioria dos casos, os episódios de gemidos podem ser quase diários, mas a pessoa que produz os ruídos em si nem sequer percebe o que está acontecendo. É uma situação mais incômoda para o parceiro de quarto do que para o paciente. A catatrenia tampouco gera nenhum risco à saúde.

Roncos
Sim, roncar é um distúrbio do sono. E ele pode ser primário, ou seja, nem sempre o ronco é consequência de algum outro problema.

Um ronco é um ruído causado por um estreitamento das vias respiratórias durante o sono. A dificuldade do fluxo de ar devido ao menor espaço causa uma vibração nos tecidos da garganta e o resultado é esse ruído tão desagradável.

O consumo de álcool e de cigarros, a obesidade ou o uso de medicamentos sedativos são todos considerados fatores de risco para o ronco.

  • Leia Mais: 4 fatos sobre ronco que você precisa saber

Caso você esteja roncando muito ou muito alto, esteja com o sono muito entrecortado, perceba uma constante falta de ar durante a noite ou se tem notado a qualidade do seu sono muito baixa, procure logo um médico de confiança para discutir as suas queixas.

Todos esses distúrbios respiratórios do sono são tratáveis e o tratamento adequado vai melhorar a sua qualidade de vida.

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